Pesquisa demonstrou que decisões consideradas difíceis – que envolvem escolhas morais, por exemplo – usam os mesmos circuitos cerebrais que são ativados em tomadas de decisão simples, como escolhas envolvendo dinheiro ou comida.
Esses circuitos neurais, também observados em animais, partem da análise de dois tipos de informação críticas: o que de ruim – ou bom – pode acontecer quando a decisão for tomada e quais são as particularidades dessa escolha. Os resultados sugerem que decisões morais complexas não têm uma estrutura moral específica no cérebro.
“Ao que parece, nossa capacidade para definir escolhas complexas, envolvendo alternativas de ‘vida ou morte’ dependem de estruturas cerebrais originalmente envolvidas em decisões de interesse pessoal básicas como se alimentar demais ou de menos”, dizem Amitai Shenhav e Joshua Greene, pesquisadores da Universidade de Harvard e cujo estudo foi publicado no periódico Neuron.
“Muitas estruturas observadas e que foram ativadas ante uma decisão moral eram as mesmas que foram percorridas durante a tomada de decisão envolvendo compartilhar dinheiro ou escolher entre dois tipos de alimentos”, detalha Shenhav.
Pesquisas anteriores haviam indicado que os julgamentos morais tinham uma estrutura específica no cérebro, mas o trabalho de Shenhav e Greene diz que isso não foi observado na maioria desse tipo de tomada de decisão.
“Pesquisas da área denominada ‘neuroeconomia’ identificaram estruturas cerebrais que trabalhavam quando se precisava processar a probabilidade de gastos em uma atividade, a magnitude desses gastos e a integração desses dois dados na hora de tomar uma decisão”, diz Greene. “Nosso trabalho mostrou que essa última parte do processo – a combinação de probabilidade e magnitude – toma forma nas mesmas regiões ativadas por escolhas simples, cotidianas e pouco complexas.”
Usando tecnologias de imagem, os pesquisadores monitoraram a atividade cerebral de 34 indivíduos que participavam de um experimento em que tinham de resolver problemas envolvendo pessoas em risco de morte. Os problemas tinham diversos níveis de complexidade, variando número de pessoas em risco e probabilidades de sucesso nas alternativas possíveis para a resolução da atividade.
Eles observaram que assim como decisões em situações cotidianas, os indivíduos comparavam o custo-benefício das alternativas, similar ao encontrado em atividades como escolher um carro para comprar (calculando o “custo” imediato, os benefícios em curto prazo e as vantagens e desvantagens em longo prazo, como preço do seguro e preço da manutenção).
Uma pessoa que tem de decidir se autoriza uma bomba atômica ser lançada sobre um alvo cheio de civis toma essa decisão de forma similar, e esse tipo de escolha é mais ou menos banal, apontam os pesquisadores. “As áreas do cérebro ativadas fazem contas integrando probabilidade de sucesso e número de pessoas afetadas, ao mesmo tempo em que outras partes integram esses resultados com magnitude e probabilidade dos resultados”, dizem os autores.
A pesquisa é importante, pois pode ajudar no treinamento de pessoas que estão envolvidas em tomadas de decisão importantes e críticas. Ao aprender a fazer isso em escala menor – e envolvendo custos e benefícios menos traumáticos – elas provavelmente desenvolveriam um sentido mais aguçado de escolha.
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