quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Superstição pode esconder dificuldade de enfrentar problemas

Pessoas que acreditam que uma força maior controla suas vidas são mais propensas a serem supersticiosas e tentarem controlar as situações incertas. Entretanto, esses mesmos indivíduos, frente à morte, afirmaram que nenhuma superstição poderia inverter a sorte, diz um estudo feito pela Universidade Estadual do Kansas, EUA.
O projeto, feito pela equipe de Donald Saucier, definiu a superstição como uma crença em uma relação causal entre determinada ação ou ritual, objeto – os também chamados amuletos – e um benefício não relacionado com esses rituais e amuletos.
De acordo com Scott Fluke, principal autor do estudo, os pesquisadores chegaram a três pontos básicos para o comportamento supersticioso entre os 200 indivíduos observados: os participantes diziam precisar da superstição para conseguir controlar “situações incertas”, além disso, os sentimentos de isolamento eram menores quando esses indivíduos estavam de posse de seus amuletos ou após seus rituais. Finalmente, os pesquisadores apontaram que as pessoas supersticiosas muitas vezes fogem do enfrentamento para problemas que as afligem por meio das superstições, pois acham ser mais fácil resolver as situações problemáticas dessa maneira.
“As pessoas usam a superstição como bengalas. É algo que elas acreditam que irá ajudá-las no momento que precisarem”, explica Saucier, cuja equipe também descobriu que as pessoas supersticiosas também eram aquelas que afirmavam acreditar com muita força na sorte e no destino.
Um segundo tópico explorado pela pesquisa foi como esses indivíduos reagiriam à notícia da morte iminente. As respostas dos supersticiosos intrigaram os pesquisadores: os participantes diziam que para esse evento não seria possível controlar as incertezas envolvidas.
“Nossa hipótese era que quando essas pessoas pensassem na própria morte, elas usariam estratégias para se livrar do pensamento, como salientar a importância de um ritual ou amuleto”, diz Fluke. “Mas o que vimos foi que elas se tornavam extremamente desesperançosas quando o assunto era abordado e isso diminuía as crenças em suas superstições.”
Saucier observa ainda que as pessoas supersticiosas também se mostraram menos decididas e proativas. “Essas pessoas devem ter em mente que é preciso controlar as situações e não se deixar ser controlado por elas. Evitar situações em que algo possa dar errado, em vez de confiar na boa ou má sorte é uma boa dica”, diz.
“Outra coisa é que esses indivíduos supersticiosos usam mecanismos para lidar com as situações que se instalam antes mesmo das situações ocorrerem: eles acreditam que estão em uma maré de azar, ou seja, antes mesmo de decidirem como irão enfrentar uma situação eles já se declaram derrotados por algo incontrolável”, observa Saucier. “Esse tipo de pensamento não é saudável e é algo que deve ser evitado ou acompanhado por um profissional de saúde mental.”
 

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