sábado, 30 de outubro de 2010

A felicidade pode ser cientificamente medida?

Pessoas mais felizes têm sistemas imunológicos mais fortes, têm melhor desempenho no trabalho, adoecem menos, vivem mais, têm casamentos mais sólidos. Por outro lado, a depressão se tornou uma das principais doenças da sociedade contemporânea.
Mas como medir felicidade? Afinal, uma vez que houvesse um maior conhecimento sobre o que constitui a felicidade, e como medi-la, seria possível construir políticas mais eficientes, com reflexos positivos sobre a saúde pública.
Para ajudar nessa questão foi desenvolvido o conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB), que tem como proposta medir o bem-estar de forma mais ampla do que o PIB (Produto Interno Bruto), comumente utilizado para mensurar o progresso material de uma nação e cuja metodologia é criticada por alguns economistas.
Susan Andrews, antropóloga e psicóloga formada em Harvard, em palestra na 5a Conferência Internacional sobre FIB, que aconteceu esse mês em Foz do Iguaçu, diz que o primeiro questionamento daqueles que tomam contato com o conceito de FIB, normalmente, é sobre como é possível medir a felicidade, que é algo bastante subjetivo.
A pesquisadora explica que na bioquímica do corpo humano, uma das substâncias associadas à felicidade é o hormônio cortisol, secretado pelas glândulas suprarrenais. Pessoas felizes tendem a ter 32% menos cortisol. Em contrapartida, o hormônio é encontrado em abundância em pessoas com alto nível de estresse.
“É preciso ter consciência de que quando uma pessoa está infeliz, seu fígado está infeliz, seu estômago está infeliz, sua pele está infeliz. Os reflexos negativos se espalham pelo corpo inteiro”, afirma Susan.
Dinheiro não traz felicidade: agora é a ciência que diz
Na sociedade de consumo atual, é comum a ideia de que o acúmulo de bens materiais é garantia de felicidade. Mas a ciência tem comprovado o contrário, garante Susan. Sem dúvida, em situações que vão desde um estado de miséria absoluta a uma condição econômica que permite alguns luxos, uma melhoria financeira é diretamente proporcional à felicidade.
Mas, uma vez que as necessidades básicas são satisfeitas, novos acréscimos em bens materiais não significam aumento de felicidade. Prova disso é que a população norte-americana triplicou sua riqueza nos últimos 50 anos, mas a população está mais infeliz, o que pode ser comprovado pelo aumento do número de suicídios, casos de depressão, divórcios etc.
A razão para isso, afirmou Susan, está na capacidade de adaptação do ser humano. É o caso, por exemplo, de quem compra um carro novo e se delicia em dirigi-lo por algumas semanas. Depois disso, vira rotina.
“Uma vez que as necessidades materiais são satisfeitas, o aumento da felicidade depende de outras condições, tais como o carinho, o afeto, o companheirismo, a compaixão, o sentimento de pertencer a uma comunidade”, exemplifica Susan.
Felicidade, no final das contas, pode ser algo bem mais fácil de se encontrar do que se imagina.

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