sábado, 30 de outubro de 2010

Funcionários altruístas tendem a ser rejeitados pelo grupo

A história da maçã podre que estraga todas as demais dentro do cesto de frutas também pode ser usada, com uma inversão de papéis, para explicar algumas relações entre funcionários dentro de uma empresa. Na teoria levantada no estudo The Desire to Expel Unselfish Members from the Group (O Desejo de Expulsar Membros Altruístras do Grupo, em tradução livre), quem faz o papel de maçã podre é o funcionário altruísta, que está sempre disposto a ajudar e a ensinar quem quer que seja – principalmente quando isso não é sua obrigação.
Quanto mais ele se prontifica para afazeres impopulares, mais é odiado pelos colegas, criando um clima de competição e podendo, até mesmo, “contaminar” o ambiente de trabalho. Na maioria dos casos, esse funcionário dito altruísta é mal visto pelo resto do grupo, por “elevar” o nível do trabalho, e corre o risco de ser rejeitado por eles.
O desequilíbrio causado no grupo com a entrada de um funcionário com esse perfil é simples. Mais disposto a colaborar, a ajudar e a fazer aquilo que ninguém gosta de fazer, ele fica com a imagem de ser mais eficiente que os demais – o que pode irritar alguns. “Esses indivíduos generosos acabam fazendo com que os demais fiquem mal vistos no ambiente de trabalho”, afirmam Craig Parks e Asako Stone, autores do trabalho. De acordo com os dois, no convívio corporativo se espera uma participação igualitária entre todos os membros, mesmo que algum deles seja capaz de mais. Além de deixar o lugar mais homogêneo e menos competitivo (pelo menos na teoria), essa linearidade também seria a responsável por amenizar defeitos, falhas e limitações de algumas pessoas.
Segundo a pesquisa, durante um dilema social é bastante comum que os envolvidos acabem se esquecendo dos seus objetivos e se foquem apenas em avaliações pessoais um dos outros. Por isso, a maçã podre daquele grupo pode acabar sendo expulsa da cesta de frutas. Para Parks e Stone, essa  possível expulsão acontece por dois motivos básicos. Sem a figura que eleva o nível do trabalho, acaba a necessidade de competição. A segunda delas, no entanto, diz respeito às normais internas. Alguém que coloca em risco as regras preestabelecidas e que tem idéias para mudá-las é um perigo que deve ser descartado.
De acordo com Yvette Piha Lehman, coordenadora do Centro de Psicologia Aplicada no Trabalho da USP, pesquisas sobre o ambiente corporativo têm apostado na ideologia de que a tarefa e a produção são um reflexo da competência da equipe toda, e não mais de uma pessoa em particular. “É essa a ideologia que vem sendo estudada, de que o trabalho em grupo contradiz a ideologia da competição, daquela pessoa que quer aparecer sozinha e receber todos os créditos”, diz.
Existe ainda uma medida possível onde alguém consegue se incluir socialmente. “Cada grupo tem seu sistema de identificação, uma proposta própria. Uma pessoa pode ser socialmente aceita em um grupo e no outro não”, diz Yvette. Estudos anteriores já levantavam a ideia de que o sucesso de um grupo está no equilíbrio de empatia entre seus membros – pessoas com os mesmos gostos e objetivos tendem a se agregar.

Nenhum comentário: