quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

“O filme é bom?” Depende da companhia, diz pesquisa

Assistir a um filme com os pais pode ser um pouco vexatório quando a obra em questão tem uma cena mais “quente”. Uma pesquisa mostrou que esse tipo de evento pode impactar negativamente o prazer da diversão, transformando-a em uma experiência negativa e incômoda para esses espectadores.
O estudo, publicado no periódico Applied Cognitive Psychology, mostrou que a experiência – positiva ou negativa – de assistir a um filme tem relação direta com o grupo de pessoas com o qual se assiste.
Para os pesquisadores, essas emoções podem variar até mesmo quando se assiste ao mesmo filme com grupos diferentes. Ou seja, a crítica a um filme pode ser reavaliada para melhor ou pior de acordo com a companhia (ou solidão) do crítico. Além disso, o sentimento de tristeza é menos intenso do que o de repulsa. Pessoas que tiveram sentimentos de tristeza durante uma sessão de cinema consideravam a ideia de vê-lo novamente.
O estudo entrevistou mais de 300 estudantes, que normalmente assistiam a dramas mais ou menos pesados seguidos de uma comédia. “Muitas vezes, uma reação emocional normal podia ser ‘apagada’ por outros fatores”, diz Richard Harris, pesquisador da Universidade Estadual do Kansas, EUA.
Uma comédia cheia de tiradas sexuais podia ser muito engraçada para alguns, mas quando havia crianças na sala, as respostas foram extremamente negativas. De forma similar, se houvesse cenas de sexo no filme as respostas eram diferentes quando os pais estavam presentes, pois em vez de excitação, o sentimento experimentado era de repulsa.
Uma segunda parte da pesquisa observou o nível de desconforto sentido pelas pessoas ao assistirem a dramas muito intensos. Nessas situações, as mulheres, mais que os homens, eram mais propensas a comentarem com as pessoas ao seu lado sobre sua insatisfação com o que viam. Os homens normalmente fingiam não sentir nenhum desconforto e evitavam comentar a situação.
“Há várias maneiras de lidar com uma situação desconfortável e com essas emoções. Podemos nos valer do silêncio, nos retorcer nos assentos ou simplesmente conversar sobre um tema que não tenha nenhuma ligação com o que se vê para distrair a atenção. Ou seja, a experiência sensorial tem ligação com inúmeros fatores cognitivos e sociais”, finaliza Harris.

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