Uma pesquisa feita em conjunto por institutos de pesquisa em saúde pública nos EUA e Reino Unido indicou que a variante genética de um receptor no cérebro pode contribuir para o comportamento violento impulsivo quando um indivíduo ingere bebidas alcoólicas.“A impulsividade, ou agir sem pensar nas consequências, é um comportamento que está envolvido em diversos transtornos mentais, incluindo pensamentos suicidas, agressividade e vício”, explica David Goldman, um dos autores da pesquisa. “Mas também é um traço de personalidade com um viés positivo, no qual a pessoa consegue tomar uma decisão rapidamente quando o risco é alto.”
O estudo, que foi feito comparando resultados em humanos e em modelos animais e publicado no periódico Nature, teve a colaboração de pesquisadores de outros países como a Finlândia e a França. “Uma parte do estudo foi conduzida na Finlândia, pois a população tem uma história única e poucas variantes genéticas”, diz Goldman. “Os finlandeses são descendentes diretos de uma população relativamente pequena no passado, o que reduz a complexidade genética. Estudar esses genes ajuda a identificar mais rapidamente os fatores que podem levar ao comportamento impulsivo.”
“Chegamos à variação de um gene que é o suficiente para fazer que as pessoas ajam dessa forma. O chamado ‘variante HTR2B’ era mais presente em homens – todos com essa variante haviam cometido crimes violentos, a propósito – e esses atos violentos e impulsivos normalmente aconteciam após a ingestão de bebida alcoólica, o que pode estar associado com a falta de inibição para esses comportamentos”, diz o pesquisador. “Essa descoberta pode ser importante para diversas outras pesquisas e a interação com o álcool poderia explicar alguns comportamentos como o vício, entre outros”, completa.
A pesquisa também foi reproduzida utilizando modelos animais modificados geneticamente para a produção do HTR2B. Esses animais eram mais impulsivos que seus pares. Os estudos com o consumo de álcool para comprovação dessa interação ainda não chegaram a dados conclusivos, pois estão em andamento.
Esses resultados, conjuntamente, podem levar a um melhor entendimento de alguns aspectos da impulsividade e, consequentemente, a estratégias para diagnóstico e tratamento de manifestações clínicas do comportamento impulsivo. Mas os pesquisadores alertam que a impulsividade é um traço de personalidade complexo e que, além das variantes genéticas, também depende de fatores ambientais.
“Há diversos caminhos para a manifestação da impulsividade e apenas um gene não é capaz de explicar toda a gama de comportamentos associados a esse tipo de comportamento”, finaliza Goldman.
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