Mais de metade das crianças e adolescentes que usa mensagens de texto nos celulares – nos momentos que já estão deitados para dormir – ou navegam mais de 2 ou 3 horas diárias na internet durante a noite podem ser mais propensos a desenvolverem transtornos do sono. Além disso, esses jovens indivíduos têm mais problemas comportamentais, cognitivos e alterações de humor. É o que aponta uma pesquisa publicada no periódico Chest.
O estudo inicial, feito por Peter Polos, do Centro Médico JFK, nos EUA, mostrou que o número de mensagens de texto – ou SMS – enviadas pelas crianças entrevistadas chegava a 33 por noite. “Esse número é alto, principalmente para indivíduos que deveriam estar tentando dormir e não sendo estimulados”, explica o pesquisador.
Polos e sua equipe analisaram dados coletados em 40 crianças e jovens adultos com idade entre 8 e 22 anos. Os participantes deveriam criar diários indicando a quantidade de horas gastas enviando SMS, e-mails, navegando na internet ou jogando videogame nas horas anteriores de irem para cama.
Aqueles que mais faziam uso desses tipos de tecnologias eram também os que mais relatavam dores nas pernas, insônia, além de diversas condições, como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ansiedade, depressão e dificuldades de aprendizado.
Além disso, as análises dos resultados também mostraram que 77,5% dos participantes tinham problemas persistentes para dormir (dificuldade de pegar no sono) e, em média, despertavam do sono profundo ao menos uma vez por noite. Os adolescentes também eram os que ficavam mais tempo em outras atividades no horário anterior ao ato de dormir. Quanto mais velhos, maior esse tempo entre ir para a cama e tentar dormir.
Outro dado interessante foi quanto aos hábitos de cada gênero. Os meninos preferiam usar o computador (navegar na internet e brincar com jogos on-line), enquanto as meninas tinham hábitos ligados ao uso do celular (SMS e chamadas telefônicas).
Para Polos, os pais sabem que os hábitos de sono são importantes para garantir um bom progresso acadêmico e um desenvolvimento adequado do organismo, mas muitas vezes não fazem nada para deixar esse tipo de equipamento longe do quarto de dormir dos filhos.
“O quanto antes os pais criarem rotinas – respeitando a opinião dos filhos – para o uso dessas tecnologias, melhor. Ter uma área em comum para os computadores é a primeira dica”, diz o pesquisador. “Nossa pesquisa apontou que esses hábitos estão se tornando mais frequentes, então é importante também que os médicos se envolvam com essas questões e, durante as consultas, façam perguntas às crianças, aos adolescentes e aos pais sobre o uso dessas tecnologias, indicando maneiras para a família lidar melhor com a situação”, finaliza.
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