Se você quer ser você mesmo, aja como outra pessoa. É isso o que diz um estudo liderado por Willian Fleeson, pesquisador da Universidade de Wake Forest, nos EUA. De acordo com o autor a ideia de “ser verdadeiro consigo” significa, muitas vezes, ter traços de personalidade variáveis.
Fleeson aponta que o conceito de autenticidade pessoal é algo que tem a ver com o número de opções para se comportar frente a um determinado problema. “Uma das implicações da conclusão de nosso estudo é que agir contra seus impulsos pessoais, muitas vezes, é importante. Ser flexível não quer dizer que você não se respeita. E as pessoas acabam sendo inflexíveis consigo próprias tentando manter uma margem de conforto e familiaridade para resolver seus problemas. Isso pode levar ao sentimento de infelicidade”, diz o pesquisador.
Adaptar-se a uma situação, ao contrário da ideia comumente aceita, pode ser mais realista em algumas circunstâncias. O estudo de Fleeson mostrou, por exemplo, que pessoas mais introvertidas se sentiam mais “autênticas” quando agiam de forma inversa em certos contextos sociais. “Na psicologia, o significado de autenticidade é ligado ao grau de possibilidade de uma pessoa mostrar seu verdadeiro ‘eu’ e estar satisfeita com isso”, diz.
Nesse sentido, agir de forma inversa ao padrão adotado na maioria das situações pode não ser sinônimo de falsidade. “Autenticidade é constantemente associada aos traços de personalidade extrovertida e, de certa forma, de uma maneira facilmente distinguível para as pessoas ao redor. E ao contrário dessa construção cultural que diz que agir dentro de um padrão facilmente identificável e fixo pode predizer o nível de autenticidade de uma pessoa, isso não é verdadeiro”, diz.
O estudo de Fleeson foi feito com mais de mil estudantes, divididos em diversos grupos, e que participaram de jogos de laboratório durante sessões de 50 minutos. Essas sessões variavam para cada grupo e podiam ser compostas de brincadeiras envolvendo jogos de tabuleiro e até grupos de discussão sobre ética médica.
Após cada sessão, os indivíduos avaliavam seus próprios comportamentos e faziam julgamentos sobre se as respostas dadas aos desafios propostos tinham realmente a ver com o que eles pensavam sobre si próprios.
Ao final da pesquisa, Fleeson observou pessoas que se caracterizavam inicialmente como “rudes”, por exemplo, e que optavam por agir de forma atenciosa e educada frente a uma situação.
“A autenticidade ou o sentimento de achar que se está sendo realmente você é algo que foi associado a agir estável emocionalmente e tentar achar soluções pragmáticas, mesmo que interpretando uma personagem que não era necessariamente como essas pessoas se enxergavam inicialmente. Isso trazia uma sensação boa e essas pessoas não achavam que o sentimento e as opiniões exteriorizados eram falsos. Elas sabiam que se adaptar é parte implícita das estratégias de negociação para um bom relacionamento dentro de um contexto social”, finaliza o pesquisador.
Nenhum comentário:
Postar um comentário