sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Perfeccionismo extremado: como ajudar as crianças que sofrem com esse comportamento

No livro Ninguém é perfeito, a autora Ellen Flanagan Burns conta a história de Ana, uma menina que só consegue pensar em ser a melhor. Mas com esse comportamento – ela é extremamente perfeccionista – a garota acaba se frustrando demais e não consegue parar de se comparar aos outros, achando que não é boa o suficiente naquilo que faz. O livro é um guia para os pais identificarem o comportamento perfeccionista extremado nos filhos e para ajudar as crianças a entenderem que os erros fazem parte da vida.
Leia abaixo o primeiro capítulo do livro “Ninguém é perfeito”, de Ellen Flanagan Burns e na próxima página algumas dicas para as crianças.
Capítulo 1
O recital
– Ana Prates é a próxima – disse a professora Sandra. Ana caminhou até a frente da sala e se sentou ao piano. Deu uma olhada rápida à sua volta e viu sua mãe, o pai, o irmão menor, Bruno, e os pais dos outros alunos, todos sentados em cadeiras diferentes. Era a vez de Ana tocar no recital, sua vez de brilhar muito, como uma estrela. E ela ansiava por isso.
Ela começou sua primeira peça, “Ondas do mar”, tocando suavemente no início, e bem forte depois, como as ondas de verdade que se formam suavemente e então se quebram estrondosamente na areia da praia.
Apesar de a professora Sandra ter dito a ela que poderia usar seu livro de partituras, Ana memorizou a música, pois não queria apelar para o modo mais fácil. Além disso, queria tocar como os alunos mais velhos, que normalmente memorizavam suas peças.
Após, ela tocou “Palhaços no circo”, leve e rapidamente, como os palhaços ao fazerem malabarismos para uma plateia. Ao se aproximar do final da peça, seu dedo escorregou para uma tecla errada, produzindo um som desagradável. Para Ana foi como se toda a música estivesse arruinada, como se todo o seu desempenho tivesse sido um fiasco.
Ficou atrapalhada e furiosa ao mesmo tempo, o que é uma combinação terrível, provavelmente semelhante ao sabor de um suco de cebola com alho, se é que você consegue imaginar algo assim! Ana queria ficar do tamanho de uma minhoca e se esconder embaixo dos pedais do piano. Quando acabou de tocar, Ana foi sentar-se com sua família, sentindo-se aliviada ao ouvir a professora Sandra anunciar o próximo aluno.
– Muito bom! – disse baixinho a professora para Ana.
Sua mãe concordou. Mas Ana não. “Eu estraguei tudo”, foi só o que conseguiu pensar. Olhou para os outros estudantes e sentiu-se como se não merecesse estar ali, era como se ela estragasse o grupo. Decidiu que deveria estudar mais ainda todos os dias para ser tão boa quanto os outros.
“Afinal de contas, bons músicos não cometem erros”, pensou. A professora Sandra convidou todos para um lanche na cozinha. Em meio à mesa, rodeada por pratos de biscoitos de chocolate, havia uma grande tigela com ponche de pêssego. No ponche, havia bolas de sorvete de creme e cubos de gelo no formato de notas musicais. Ana não queria falar com ninguém. E estava certa de que, da mesma forma, ninguém queria falar com ela. “
Ninguém vai querer conversar com quem erra”, pensou consigo mesma. Tomou um golinho do ponche e ficou parada, sozinha. Júnior, que havia tocado antes de Ana no recital, foi até ela:
– Gostei da sua apresentação.
– Mas eu cometi erros na segunda música. Ficou muito ruim – disse Ana.
– É? Não percebi – disse Júnior.
– Também cometi alguns erros. Isso não é um grande problema.
Ana pensou que Júnior estava apenas tentando ser legal. Não se lembrava de nenhum erro dele ao tocar. Na verdade, ele sempre tocava tudo com muita facilidade. Após outro golinho do ponche e um biscoito de chocolate, Ana estava pronta para ir embora.
Ela não estava com humor muito bom e, sobretudo, não queria ficar frente a frente com a professora Sandra. Ana se sentia como se a tivesse decepcionado.

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