quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O que fazer quando o coração dispara

São 310 mil brasileiros que sofrem a chamada morte súbita a cada ano. E a principal causa é a arritmia cardíaca, um mal que acontece de forma repentina e demanda tratamento imediato para se normalizar  

morte súbita vem atingindo milhares de brasileiros por ano e assustando as pessoas, inclusive as mais saudáveis, pois muitas vezes não apresenta sintomas. Daí a importância de ter os exames em dia para detectar uma eventual anormalidade e para que o paciente possa tomar os devidos cuidados.

 As arritmias ocorrem quando a sequência dos batimentos cardíacos apresenta uma anormalidade. Ou seja, eles devem ocorrer de 60 a 100 batimentos por minuto (bpm), mas quando este número ultrapassa 100 bpm, ocorre a taquicardia. Já se eles ficam demasiado devagar, com menos de 60 bpm, ocorre a bradicardia. Outro caso de arritmia é quando as vias elétricas condutoras apresentam alguma anormalidade. A arritmia pode não apresentar sintomas, no entanto, um ataque cardíaco pode ser evitado e revertido se o paciente receber atendimento rápido. 

Como surgem os problemas
A taquicardia pode ser de origem congênita (quando a pessoa já nasce com esta irregularidade na sequência dos batimentos cardíacos) ou adquirida, devido a diversos fatores. As causas mais comuns são as doenças cardíacas. Muitos medicamentos podem acarretar o problema,  daí a importância de exames frequentes . Quando confirmada a tendência de um problema cardíaco, deve existir uma atenção especial às bulas e contraindicações. Entre eles, estão os fármacos que contenham estimulantes (utilizado para problemas respiratórios e alergias, como os broncodilatadores, as populares bombinhas para asma). A taquicardia pode ser desencadeada também pela prática de exercícios físicos, tensão emocional, consumo excessivo de álcool ou tabagismo. 

Para o diagnóstico, é importante ficar atento ao histórico familiar e na suspeita de alguns sintomas como palpitações, cansaço fácil, tonturas e desmaio, procurar um cardiologista para realizar alguns exames, como o ecocardiograma, que possam detectar problemas no coração que, portanto, serão pacientes com maior tendência à taquicardia. 

Exames em dia
 Já o  exame de pulso pode detectar anormalidades na frequência dos batimentos cardíacos. Em um caso de emergência, o eletrocardiograma (ECG), pode detectar rapidamente o problema e então o tratamento adequado é agilizado, aumentando as chances de reverter a situação. Existe um aparelho portátil de ECG (método Holter) que possibilita uma análise da frequência cardíaca do paciente. Ele deve ficar 24 horas com o aparelho, para que possa ser detectada, a partir de uma representação gráfica da corrente elétrica que desencadeia os batimentos cardíacos, a existência de alguma anomalia. Além disso, o aparelho permite relacionar a arritmia aos sintomas que o paciente apresenta, uma vez que este deve preencher uma ficha com as atividades que realizar os indícios apresentados e seus horários. 

No exame eletrofisiológico, são introduzidos na veia, cateteres com eletrodos minúsculos na extremidade até chegar ao coração. Isto estimula o coração ao mesmo tempo em que se torna possível a percepção de anormalidades, para que então seja detectado os tipos de arritmias e seja feito o tratamento adequado.

Evitar a morte súbita
Qualquer arritmia que altere a capacidade do coração de bombear sangue para o restante do corpo de forma adequada é grave. Quando há a perda total da função cardíaca, que ocorre no máximo em uma hora após início dos sintomas e de forma inesperada, ocorre a morte súbita cardíaca, um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, que acomete mais de 310 mil mortes por ano no Brasil e representa 50% das mortes por doenças cardíacas. 
 
          O tratamento depende do tipo de arritmia, mas no caso da taquicardia os fármacos antiarrítmicos são muito benéficos. Porém, às vezes é necessário experimentar diversos medicamentos até encontrar aquele que dê melhor resposta ao problema. Vale ressaltar que, em alguns casos, estes medicamentos podem piorar as arritmias e/ou causar outros efeitos secundários. Uma aplicação de uma descarga elétrica pode tratar a taquicardia e restabelecer o ritmo normal (cardioversão). O aparelho que proporcionará esta descarga elétrica chama-se desfibrilador que pode ser manuseado por uma equipe de médicos especializados, bombeiros ou paramédicos. Porém, as chances de sucesso diminuem de 7 a 10%  a cada minuto. Assim, se o tratamento for feito após um minuto, as chances de sobrevivência são 85%. Já se for feita seis minutos após a detecção dos sintomas, as possibilidades caem para 35%. 

         Da mesma forma que se implanta um marca-passo (usado com maior frequência no tratamento das arritmias mais lentas) pode-se colocar cirurgicamente um desfibrilador que irá detectar automaticamente as arritmias rápidas e emitir uma descarga para normalizar a situação. Porém, vale lembrar que este método não previne a arritmia. Existe um novo tipo de desfibrilador externo automatizado (DEA) que é capaz de detectar uma anormalidade, verificar a necessidade de uma descarga elétrica e emiti-la de forma automática e controlada. Sua utilização requer apenas capacitação em primeiros socorros, ou seja, leigos devidamente treinados podem aplicá-lo. O ideal seria a disponibilidade destes aparelhos em todos os locais públicos e com aglomerações de pessoas.

Nenhum comentário: