quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Morte de pessoa amada aumenta risco para doenças do coração

Pessoas em processo de luto pela morte recente de uma pessoa próxima – como parceiros ou filhos – podem ter o risco para doenças do coração aumentado, sofrendo com arritmias cardíacas e tendo mais chances de serem acometidas de morte súbita, diz uma pesquisa apresentada à Associação Americana do Coração.
De acordo com o estudo, feito por pesquisadores australianos, as arritmias podem ser observadas até seis meses após a morte de um ente querido. Um acompanhamento para a condição e a prevenção benfeita, entretanto, pode diminuir esses riscos que são ainda maiores em pessoas enlutadas e com algum problema cardíaco anterior. A pesquisa, liderada por Thomas Buckley, da Universidade de Sydney, aponta que a morte de um parceiro, filho ou dos pais pode levar a alterações no ritmo cardíaco (as chamadas arritmias cardíacas), especialmente as taquicardias (quando o coração bate mais rápido).  
“Enquanto a atenção para com uma pessoa adoentada é totalmente focada nela e em seu problema, é importante que se saiba que aqueles que continuam a viver também precisam de acompanhamento médico, assim como da família e dos amigos”, diz Buckley. “Algumas pessoas enlutadas, especialmente aquelas com risco cardiovascular anterior, devem ser observadas de perto por profissionais de saúde, e estes devem encaminhar esses indivíduos para tratar possíveis problemas relacionados com a saúde do coração.”
Estudos anteriores já haviam indicado a ligação entre a perda de alguém próximo e o aumento dos riscos para ataque cardíaco e morte súbita. Nenhum desses estudos até o momento conseguiu explicar como essa ligação se dá, ou por que esse risco diminui após algum tempo.
Buckley e sua equipe acompanharam 78 pessoas (55 mulheres e 23 homens), com idades variando entre 33 e 91 anos, e que haviam perdido seus companheiros ou filhos. Eles foram entrevistados duas semanas após a morte dos entes queridos e, novamente, seis meses depois. Esses indivíduos foram comparados a um grupo controle, de idade e composição similar, mas que não estava em processo de luto. Além de acompanhar a evolução cardíaca desses indivíduos, os pesquisadores também avaliaram se essas pessoas enlutadas tinham algum indício de depressão ou ansiedade.
Foi observado, por exemplo, que o número de eventos cardíacos envolvendo taquicardia era mais elevado na primeira quinzena após a morte do ente querido (uma média de 2,23 eventos contra 1,23 observado em outras pessoas, ou seja, o dobro de eventos). Após seis meses, esses níveis eram similares. O ritmo cardíaco dos indivíduos observados também era um pouco acima da média do grupo controle: 75,1 batidas por minuto (bpm) no primeiro grupo contra 70,7 bpm no segundo.
No caso de transtornos mentais, também monitorados pelos pesquisadores, foi observada uma maior pontuação para depressão (analisada por testes padrão), em que o grupo de pessoas em processo de luto chegou a uma média de 26,3 pontos, contra 6,1 no grupo controle. A ansiedade também foi quase o dobro da observada no grupo controle: 46,7 pontos.
“Embora nossos resultados não tenham indicado a causalidade dos eventos, os resultados são consistentes com a evidência de gatilhos psicossociais para problemas cardiovasculares. É necessário, entretanto, mais pesquisas nessa direção”, finaliza Buckley, lembrando que os indivíduos observados haviam perdido seus parentes após períodos de internação em hospitais e que os dados relativos a pessoas que presenciam esses eventos em casa podem ser diferentes.

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