domingo, 21 de novembro de 2010

Depressão pode trazer riscos para o coração

O que vem primeiro, a depressão ou a baixa na saúde? Para ajudar a resolver esse problema, pesquisadores liderados por Jesse Stewart, da Universidade de Indiana, EUA, procuraram responder duas outras questões-chaves: a depressão pode elevar as proteínas ligadas à inflamação no corpo humano? Ou o aumento dessas proteínas leva à depressão?
No primeiro caso, a resposta foi positiva: sim, a depressão contribui com a elevação de proteínas inflamatórias no corpo. Mas de acordo com outros estudos da área da saúde, a segunda resposta é não, a elevação dessas proteínas nada tem a ver com a depressão.
O estudo, publicado no periódico Brain, Behavior and Immunity, é o primeiro a examinar as duas vias que conectam depressão e inflamação, além de medir sintomas físicos da depressão, como fadiga e distúrbios de sono, que costumam acompanhar os sintomas cognitivos e emocionais.
Riscos para o coração
Estudos anteriores haviam medido os níveis de interleucina-6 (ou IL-6, proteína ligada aos processos inflamatórios) paralelamente ao quadro depressivo. Esses estudos não conseguiam provar, entretanto, o que vinha primeiro.
Os participantes desse novo estudo foram 263 homens e mulheres entre 50 e 70 anos. Os níveis de depressão e de proteínas inflamatórias (que incluíam outras, além da IL-6) foram acompanhados durante seis anos. Apenas a IL-6 se mostrou ligada ao quadro depressivo.
A associação entre depressão e processos inflamatórios é tão grande que os riscos para o coração são similares aos de outros fatores de risco como fumar, ter pressão alta ou nível colesterol elevado, diz Stewart. “A ligação entre depressão e doenças cardiovasculares mostra que talvez seja necessário observar e tratar os quadros clínicos das pessoas que sofrem desse transtorno, paralelamente ao tratamento psicológico ou psiquiátrico”, finaliza Stewart.

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