sábado, 30 de outubro de 2010

Pequenos cuidadores: crianças envolvidas nos cuidados de pessoas próximas podem ter algos níveis de estresse

Um número cada vez maior de crianças e adolescentes está se tornando responsável pelos cuidados a irmãos com condições abaladas de saúde, pais e mesmo avós que, por motivos de cuidados com a saúde mental – depressão ou outros transtornos incapacitantes, além de doenças degenerativas –, precisam ficar em casa, situação comum graças aos altos custos de internação ou de se contratar um profissional especializado – enfermeiros, por exemplo.
Essas crianças podem ter de lidar com avós que sofrem com a doença de Alzheimer e serem responsáveis pelas rotinas de seus remédios, por exemplo. Nos EUA, um levantamento feito em 2010 pela Associação Americana de Psicologia (APA) indica que aproximadamente 1,4 milhão de crianças entre 8 e 18 anos são responsáveis pelos cuidados de um dos pais, avós ou irmãos com algum transtorno mental ou incapacitados fisicamente.
Muitos desses jovens cuidadores são de famílias de baixa renda, filhos de pais ou mães solteiras (ou separados) e aproximadamente um terço dessas crianças e adolescentes é responsável por tarefas como cuidar das rotinas diárias de um ente querido – vesti-los, alimentá-los ou cuidar de seu banho.
Essas crianças podem ter seu rendimento acadêmico diminuído, padrões de sono alterados e sofrer com ansiedade ou depressão, resultado direto de seus afazeres de cuidadores, aponta Gail Hunt, chefe executivo da Aliança Americana para Cuidadores (NAC), e que conduziu em 2009 um estudo sobre o tema.
Poucas dessas crianças e adolescentes conversam com seus professores sobre suas responsabilidades em casa, mas 58% desses jovens cuidadores afirmam que “estão muito preocupados para conseguir se concentrar em seus afazeres escolares”, de acordo com o estudo da NAC. A maioria dessas crianças também indicou altos níveis de estresse, perda de contatos sociais (como amigos) e incapacidade de participar de atividades após as aulas, aponta Hunt. Não é surpreendente que, quanto maiores as responsabilidades dessas crianças, maior o nível de estresse e piores as notas na escola.
Outro estudo feito em 2006, que procurou analisar os índices de alunos que desistiam da escola, mostrou que aproximadamente 22% desses jovens desistiam de sua formação acadêmica básica por conta de tarefas relacionadas aos cuidados que um membro da família necessitava, indica Connie Siskowski, da Associação Americana de Jovens Cuidadores.
Siskowski, aliás, é uma das organizadoras de um programa que tenta ajudar essas crianças e adolescentes a lidarem com o estresse causado pelo excesso de suas atividades como cuidadores. Estratégias como tutores domésticos para jovens que não podem se envolver em tarefas extraclasse e proporcionar acesso a computadores para esses indivíduos são algumas soluções encontradas pela associação de Siskowski. Além disso, esses jovens podem participar de workshops para aprenderem a lidar com a raiva, assim como ter acesso a atividades socializantes. “Essas crianças podem aprender com pessoas em situações similares e saber que não estão sozinhas nisso”, diz Siskowski.
 

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