Um assunto muito comum por aí, mas pouco falado, são as mulheres que não se contentam com um parceiro só. essa atitude constante de busca pelo amor perfeito pode ser considerada uma patologia ou apenas um jeito de viver a vida? A psicóloga Cássia Franco nos trouxe alguns pontos de vista interessantes sobre esse comportamento. Mas, para pensarmos sobre essas questões, Cássia nos propõe a olharmos de um lugar mais alto toda essa questão e a voltarmos há alguns anos. Em 1934, as mulheres tiveram o voto incorporado à Constituição Brasileira. A revolução industrial alçou a mulher à condição de trabalhadora e, em 1960 (com a chegada no Brasil em 1962), a pílula deu às mulheres mais uma carta de alforria: a liberdade de fazer as escolhas da maneira que elas bem entendessem. Ou seja, tornaram-se (e ainda vêm se tornando) as verdadeiras donas de seus corpos e de suas almas.
Fidelidade
Na época de nossos bisavós, avós e, às vezes (nem tão longe assim), de nossos pais, houve situações como essa: a união de um casal era definido através de propriedades, linhagens... Longe de ser por amor! Não que não tenha existido casos em que as pessoas se envolveram e realmente alcançaram um afeto, uma comunhão, mas não era esse o objetivo (nem inicial, nem final). Hoje em dia, as condições são outras e, como diz Cássia: "A monogamia já era uma condição imposta à mulher. Agora, fidelidade é uma opção pessoal para ambos".
É mais do que óbvio que atualmente somos nós que escolhemos com quem gostaríamos de conviver, trocar experiências e afeto, enfim, de dividir uma vida. Mas quando isso é realmente verdade? Quantas vezes não colocamos a culpa de encontros desastrosos e namoros falidos no destino e nos céus? Sabemos que queremos um namorado bacana, alegre, companheiro e charmoso ao nosso lado, mas será que estamos indo na direção correta desse desejo?
Pamela Duarte, 37 anos, confessa: "Eu me separei recentemente de uma relação de 12 anos. Terminamos amigavelmente, foi uma decisão de comum acordo, e percebi, assim que me vi sozinha, que estávamos distantes um do outro já há muito tempo".
Para Pamela, o desejo sexual era assunto para meninas e jovens que estão começando a vida. Ela estava assexuada e longe de se imaginar envolvida em outra relação. "Com o tempo, fui me adaptando à nova rotina, os novos hábitos começaram a fazer parte da minha vida e... Conheci um cara interessante."
Busca incansável
Basta encontrá-lo? Talvez não, pois o que acontece é que o foco acaba sendo no objeto de nosso amor e, não, em nossa capacidade de amar. O estudioso Erich Fromm já defendia a ideia de que achamos fácil amar, mas difícil encontrar a pessoa certa. Pamela parece seguir a sugestão de Erich (ela está firme na busca). Não fica em casa em nenhum final de semana e, se consegue companhia durante a semana para um jantar ou uma festinha na casa de amigos, lá está ela. "A esperança é a última que morre. Quem sabe não tropeço no amor da minha vida em algum canto por aí... Se não encontro, pelo menos, me divirto. Estou buscando prazer!"
Tratamento
A psicoterapia que Renata buscou cuida basicamente dos três principais medos dos portadores de compulsão sexual: intimidade; perda de controle; e ficar só. As sessões com um psicólogo podem trazer conforto no nosso dia a dia tão corrido e ser boas chances para parar e pensar em si mesma de forma mais cuidadosa e acolhedora. Normalmente, é à noite que as portas dos desejos se abrem para que atuemos.
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