Levantamento do Ipea revela endividamento e expectativa das famílias brasileiras sobre situação econômica nacional
Menos da metade das famílias nordestinas (47%) possui algum tipo de dívida, segundo levantamento, divulgado ontem, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que visitou 3.810 domicílios em todo o Brasil, em mais de 200 municípios, abrangendo todas as unidades da federação. Por outro lado, no País, 54% declararam ter dívidas. Em média, essas pessoas devem R$ 5.427. Os dados fazem parte do Índice de Expectativas da Famílias (IEF) brasileiras, calculado pelo Ipea, para o País e suas grandes regiões geográficas, revelando, além do endividamento, o que se espera sobre a situação econômica nacional, a condição financeira passada e futura, as decisões de consumo e condições de quitação de dívidas, contas atrasadas e o mercado de trabalho.
Capital cearense
Números consolidados por estados e capitais ficaram de fora da pesquisa do Ipea. Porém, Fortaleza, com 56,76%, segundo levantamento mensal do Instituto de Pesquisa de Desenvolvimento do Comércio (IPDC), ligado à Federação do Comércio do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), apresentou, em agosto último, índice de endividamento superior à média nacional e regional. Proporção, avalia o vice-presidente da Fecomércio, Ranieri Leitão, positiva, pois reflete o momento otimista que a economia nacional e, mais especificamente do Estado, vive.
"Vejo com otimismo os números do Ipea, que corroboram o levantamento do IPDC sobre o endividamento em Fortaleza. As pessoas só se endividam porque estão confiantes. As pesquisas têm mostrado que o nível de otimismo do consumidor na Capital é excelente, com 70,26% dos entrevistados. E isto está sendo puxado pela crescente geração de emprego e renda no País e no Ceará", comemora.
No entanto, ressalta Leitão, é importante deixar claro que possuir dívidas não quer dizer que a pessoa esteja inadimplente, ou seja, contraiu algum tipo de financiamento e deixou de pagar. "O que acontece é que muitos confundem o endividamento com inadimplência", fala.
Conforme o Ipea, do conjunto das famílias nordestinas, pouco mais de 8% responderam estar muito endividadas. Outras 12,86% declararam estar mais ou menos endividadas, e 25,63%, pouco endividadas. No entanto, quase 53% afirmaram não possuir nenhum tipo de dívida. Já no País, no conjunto das famílias, pouco mais de 11% responderam estar muito endividadas. Outras 16,82% declararam estar mais ou menos endividadas e 26,25%, pouco endividadas. 45% declararam não possuir dívidas.
Ainda de acordo com o Ipea, no Brasil, em cerca de 15% das famílias endividadas, o débito corresponde a aproximadamente metade do rendimento mensal. Outros 16% disseram que comprometem de duas a cinco vezes a renda familiar mensal com esses débitos.
Capacidade de pagamento
Sobre a capacidade de pagamento, a pesquisa revela que aproximadamente 20% das famílias possuem alguma conta atrasada. Todavia, cerca de 60% dessas famílias creem que conseguirão quitar essas contas total ou parcialmente no mês seguinte, com 37,8% afirmando que não terá condições de pagar. No Nordeste, as proporções são de 53% e 47%, respectivamente.
Novos financiamentos
Segundo o estudo, pode-se constatar também que 7,56% das famílias brasileiras (6,85% no Nordeste) planejam tomar empréstimo ou financiamento nos próximos três meses.
PRÓXIMOS 12 MESES
Nordestino está otimista com economia nacional
O Nordeste é a região que registra maior otimismo em relação ao comportamento da economia nacional nos próximos 12 meses, segundo aponta também o levantamento do Ipea. O índice é de 74% contra 58% da média nacional. A região também registra índice acima da média brasileira com relação às famílias que acreditam ter melhorado sua condição financeira no último ano (78%). A média do País é de 73%.
Mercado de trabalho
Ainda de acordo com o instituto de pesquisa, merecem atenção os dados referentes ao comportamento do mercado de trabalho e às expectativas dos entrevistados no que diz respeito à ocupação. No País, é possível aferir que 76,7% dos responsáveis pelos domicílios se sentiam seguros em sua ocupação atual.
Entre as regiões, os resultados apresentados foram mais destacados no Centro-Oeste (86,7%) e no Sul (86,1%), respectivamente. O Nordeste, em contrapartida, é a região onde foi aferido o menor nível de segurança, que ainda assim, ultrapassa a barreira dos 70%. O Sudeste e o Norte são as regiões que, após o Nordeste, apresentam os menores níveis de segurança, mas em patamares equivalentes a cerca de ¾ dos ocupados, ou seja, três em cada quatro chefes de família dessas regiões se consideram seguros em suas ocupações.
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