quarta-feira, 8 de setembro de 2010

As cidades atraem furacões

Pesquisadores de Hong Kong afirmam que a textura da paisagem influencia na trajetória de ciclones

Quando os furacões golpeiam as zonas costeiras densamente povoadas, os efeitos costumam ser devastadores. No entanto, de acordo com um novo estudo, as cidades não são meras vítimas passivas do efeito dos furacões. As áreas urbanizadas também são responsáveis por atrair esses fenômenos naturais.

Segundo cientistas da Universidade de Hong Kong, que conduziram a pesquisa, a textura da paisagem influencia a trajetória dos furacões: as áreas mais elevadas, que incluem desde cidades com edifícios altos até bosques ou terrenos montanhosos, exercem uma notável atração sobre as tormentas tropicais.
"Isso se deve ao fato de quando os ventos que vem do oceano – carregados de umidade – encontram com um terreno áspero, geram uma maior fricção", disse Johnny Chan, líder da equipe de pesquisadores.
O ar que se concentra na região elevada começa a ascender – porque não tem outro lugar para ir.
"Esse ar com muita umidade esfria, se condensa e forma nuvens. Quando o vapor d'água se transforma em líquido, libera calor e os ciclones tendem a se mover até as áreas onde há mais liberação de calor, porque o calor força o ar a girar mais rápido", disse Chan.
Para chegar a essa conclusão, a equipe de Hong Kong utilizou um modelo para simular o caminho de um furacão por superfícies diferentes. "A simulação é algo como uma caixa. Em um lado a superfície do fundo é muito áspera e no outro é lisa. A parte áspera representa a terra e a lisa, o oceano", explicou o pesquisador.
Os cientistas subdividiram a parte rugosa em duas, com uma parte mais áspera – que representa os edifícios mais altos – que a outra. Em uma das simulações, os cientistas incluíram uma zona costeira com edifícios no norte e uma região mais plana no sul. Ali, introduziram um furacão que se aproximou da costa desde o leste, como ocorrem no caso das tormentas tropicais que castigam a costa da Flórida, nos Estados Unidos.
O furacão se moveu para o norte. Quando os cientistas trocaram as zonas (colocando os edifícios no sul), o furacão se dirigiu ao sul.
Esse desvio alcançou um máximo de 30 quilômetros. "Mas o desvio depende da magnitude da tormenta. Se introduzirmos no modelo uma tormenta mais forte, o desvio será maior", assinalou Chang.
Na opinião do pesquisador, o estudo aporta informação valiosa na hora de fazer previsões sobre os furacões. "Nas previsões reais é fundamental contar com uma boa representação da superfície do terreno. A chave está em manter essa informação atualizada, sobretudo porque as paisagens costeiras mudam constantemente, num mundo em que as pessoas gostam de construir edifícios com vista para o mar", disse Chan.

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