quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Artes em campo expandido


Artes em campo expandido

Reunindo grandes nomes das artes visuais no Brasil, o CCBNB realiza hoje e amanhã seminário sobre as relações entre arte, cultura, natureza e tecnologia

Muito mais que um meio imutável a ser representado, a natureza passa a ser substância real com a qual alguns artistas contemporâneos realizam suas poéticas. Há algumas décadas, eles vêm migrando dos espaços convencionais da arte como ateliês, galerias e museus para se afrontarem com a imensidão dos espaços e tempos infinitos do território natural.

Vários exemplos podem ser encontrados pelos artistas ligados à "Land Art", tendência na qual o meio ambiente se torna o próprio campo de experimentação artística; como os trabalhos desenvolvidos pelos norte-americanos Robert Smithson (1938-1973) e Walter de Maria (1935).

Confrontando-se com a limitação criativa determinada pelas galerias, Smithson elegeu regiões remotas como suporte para um trabalho eminentemente artesanal, utilizando materiais naturais e ampliando a dimensão dos objetos para a escala da paisagem.

Já Walter de Maria considerava a extensão da arte ao contexto e à exploração das relações entre a obra e o lugar em que se insere. Desde o final da década de 60, o caráter efêmero e a forma de degradação da obra são elementos fundamentais de sua criação artística.

Seminário

Essa excursão dos artistas para fora dos meios e espaços artísticos convencionais, e as complexas relações entre arte, paisagem, cultura, natureza e tecnologia, norteiam as discussões do Seminário Avançado de Arte, que acontece hoje e amanhã, a partir das 18h, no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB). O evento reúne nomes de peso das artes visuais brasileiras como as professoras e curadoras Glória Ferreira e Marisa Flórido, e os artistas Jailton Moreira, Nelson Félix e o Grupo Nuvem.

Segundo Chang Chi Chai, que junto aos artistas Lin Lima e Begué constitui o grupo Nuvem, o seminário é uma oportunidade de mostrar ao público de Fortaleza alguns dos principais trabalhos que vem realizando a partir da imersão no ambiente em seu sentido mais amplo.

"Buscamos atuar em lugares que nos são desconhecidos. O grupo é ainda recente. Ficamos cerca de dois meses de imersão na Chapada dos Veadeiros, no interior de Goiás, a região é repleta de erosões... A erosão é uma ferida da Terra. Num esforço humano, inquebrantável e poético, fizemos uma costura dessas ´feridas´. Tentamos suturar a cicatriz da Terra".

MAIS INFORMAÇÕES:
SEMINÁRIO avançado de arte debate as complexas relações entre Arte, Paisagem, Cultura, Natureza e Tecnologia. Hoje e amanhã, às 18h, no CCBNB Fortaleza. Inscrições gratuitas na recepção do espaço até hoje. Contatos: (85) 3464.3108

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